15 out 2016 às 10:00 UTC
Entrevista exclusiva: Fernanda Baronne, dubladora da Rachel McAdams

Nessa semana conseguimos conversar com a Fernanda Baronne, uma das dubladoras da nossa querida Rachel.  Na entrevista ela falou sobre como é ser dubladora, como foi escolhida para dublar a Rachel, seus próximos trabalhos, e etc. Confira abaixo:

Além de dubladora, você é atriz e diretora. Me fala um pouquinho do começo da sua carreira… Foi algo que você sonhou desde criança?

Como você deve saber, minha mãe trabalha com dublagem também, então esse sempre foi um universo que me rodeou. Desde pequena eu tinha vontade de fazer e insistia muito com a minha mãe. Um dia, ela acabou deixando, eu tinha uns 10 anos, mas só fui começar pra valer com 14 anos, dublando a novela Carrossel. É importante notar que dublador = ator… Pra ser dublador tem que ser ator. Quando a gente começa bem cedo, não precisa, mas de qualquer maneira, pra ser um profissional de qualidade, é bom, em minha opinião, ter uma formação em teatro.

Sim, com certeza. Acho que o teatro é fundamental para uma boa atuação. Falando exclusivamente sobre seu trabalho como dubladora… Você acha que é mais fácil por ser apenas a sua voz? Ou a dificuldade é muito maior por ter que combinar a sua voz com a atuação de outra pessoa?

Eu acho que não existe isso de “mais fácil” ou “mais difícil” e sim uma adaptação de pessoa pra pessoa. Conheço ótimos atores de teatro que não conseguem dublar muito bem e ótimos atores em dublagem que não se sentem à vontade em cima de um palco. É claro que o fato de ser apenas a voz é no mínimo mais prático e rápido do que estar em um set de gravação ou em cartaz em um teatro, mas acho que é tão difícil quanto em nível de interpretação. A voz precisa estar em sintonia com a imagem, com a respiração, com o tom… Senão fica falso; fica vazio. Acho que esse é o grande segredo de uma boa dublagem; o quanto conseguimos realmente mergulhar naquele personagem, naquela cena, naquela situação. Quanto à atuação do ator original, a dificuldade está em ser o mais fiel possível, mas adaptando pra nossa língua e modo de falar. Se usarmos exatamente a mesma melodia do outro idioma, fica bem forçado. É importante observar a atuação do ator original e se perguntar, como alguém diria isso em português. Uma coisa que sempre me ajuda muito é respirar junto com a atriz.

Acho que o roteiro tem que ajudar bastante também, né? Como tradutora eu sei que tem certas coisas que ficam difíceis de passar para o português… Mas quando dublam os filmes sempre conseguem substituir por palavras que se encaixam no contexto. Você empresta a sua voz para diversas atrizes famosas… Como você foi escolhida? É uma audição comum? Você precisa ter um tom de voz parecido com a voz da atriz em especial?

Sem dúvida uma boa tradução ajuda muito! De qualquer maneira, em estúdio, sempre acabamos mudando uma coisa ou outra pra ficar mais bem adaptado. O fato de falar inglês, francês e espanhol me ajuda muito quando é uma dessas línguas que eu estou dublando, mas o conhecimento de línguas estrangeiras não é imprescindível. Na maioria das vezes ocorrem testes sim. Costuma-se testar no mínimo três vozes para cada personagem/ator. Quanto a quem escolhe, varia. Às vezes é o cliente estrangeiro, às vezes o representante desse cliente aqui no Brasil, algumas vezes até o próprio diretor do filme original. Acho o tom de voz parecido muito importante, mas nem sempre a escolha  vai recair sobre a voz mais parecida. É um conjunto de tom e de interpretação.

Você emprestou a sua voz para a Rachel McAdams em alguns filmes… Você lembra como foi escolhida? Você já conhecia o trabalho dela?

Se eu não me engano, a primeira vez em que dublei a Rachel foi em Hot Chick… Que eu me lembre, não teve teste não. O diretor me escalou porque achou que minha voz encaixaria bem nela. Ela não era tão famosa na época. Depois disso, os diretores costumam tentar manter a voz pra criar uma identidade, mas nem sempre é o que acontece. A Rachel foi dublada por várias outras dubladoras, inclusive minha irmã, Flávia Saddu/Saddy. Eu tenho bastante carinho pela Rachel, mas aprendi a não ficar chateada quando não sou eu a escolhida. Não adianta se apegar, né?

Sim, de acordo com as minhas pesquisas a primeira vez foi em Hot Chick (Garota veneno) mesmo! Realmente o que me intrigou foi ela ter várias dubladoras… Mas eu realmente amei a sua voz, achei que combinou bastante! Principalmente em Sherlock Holmes, acho que ficou perfeito!

Eu adoro dublar ela, mas as outras profissionais são muito boas também. Obrigada por curtir também.

Você ainda acompanha os trabalhos dela?

Acompanho sim. O último filme dela que vi foi Spotlight, mas não dublei.

Além da Rachel, qual outra atriz que você gosta muito de dublar?

Eu adoro dublar a Jennifer Garner, a Eva Green, a Emily Blunt, a Kaley Cuoco, a Anna Paquin, Charlize Theron…

São todas atrizes incríveis, né? Você muda o tom da sua voz dependendo da personagem? Como você consegue diferenciar?

Eu não sei explicar isso direito. Mudo sim, mas é muito mais uma questão de ouvido e de feeling do que algo cartesianamente pensado. Cada uma fala de um jeito, respira de um jeito, olha de um jeito, reage de um jeito… Quando eu estou dublando, é como se eu estivesse vivendo mesmo aquela cena. É assim que eu “sinto” as atrizes.

Qual filme da Rachel você mais gostou de dublar?E teve algum filme dela e/ou de outra atriz que você dublou, mas não gostou do filme?

Sim. O filme dela que eu mais gostei de dublar foi justamente Sherlock Holmes. Tem vários filmes que eu não curto muito, mas não sei dizer assim de cabeça, rs. Ah, adorei dublar também “Te Amarei para Sempre” e o “Meia-noite em Paris”.

 Você tem alguma dica para quem quer ser dublador?

Minha dica é: forme-se como ator (profissionalmente) e, depois, faça um bom curso de dublagem. Se o interesse da pessoa for apenas ser dublador, sugiro fazer um workshop de dublagem pra ver se leva jeito antes de investir no mínimo dois anos na formação de ator. Sempre estar consciente da voz, procurar a ajuda de um fonoaudiólogo, se necessário, e ter muita paciência, pois não é fácil entrar no mercado (como não é fácil fazer TV ou teatro), mas não é impossível.

E a última pergunta,  e quais os seus próximos trabalhos?

Eu estou dublando a segunda temporada da série Quântico (personagem Alex Parrish), as novas temporadas de The Big Bang Theory e “Que legal, Scooby-Doo”. Uma novela turca chamada Sila (faço a Sila) e outra chamada Ezel (faço a Eysan), e uma novela mexicana chamada “A Gata” (faço a Gisele). E acabou de estrear “O Lar das Crianças Peculiares” em que faço a Eva Green . E é isso.

Muito obrigada mesmo Fernanda! Adorei a entrevista, você foi muito simpática! Parabéns pelo seu trabalho! Quer mandar um recado para os fãs da Rachel?

Obrigada a você. Pra mim foi um prazer. O recado que posso mandar pros fãs da Rachel é que eu também sou fã dela e que sempre que eu dublá-la, eles podem ter certeza de que colocarei meu coração no trabalho.

 

Fernanda Baronne é uma das 12 (!) dubladoras da Rachel no Brasil. Ela emprestou sua voz para a Rachel nos filmes “Te Amarei Para Sempre”, “Sherlock Holmes”, “Sherlock Holmes – O Jogo de Sombras”, “Garota Veneno”, “Uma Manhã Gloriosa” “Gente de Sorte” e “Meia-Noite em Paris”.

Abaixo temos exemplos da Rachel com a voz da Fernanda… Super combinou né?

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Autor: Allie
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